Arquivo da categoria: Nostalgia

There will be cake #1- Quadrinhos

Mais um ano se passando e meu aniversário se aproxima. Agora, a menos que você seja eu mesmo re-lendo este texto para ficar envergonhado com os diversos erros gramaticais cometidos, você deve estar pensando ”E eu com isso!?”.

There will be cake

Bem, acontece que esse ano eu decidi plagiar descaradamente a ideia do meu amigo Edshemp, que em seu ultimo aniversário fez uma lista dos seus jogos preferidos. No entanto, eu decidi nas próximas semanas fazer 3 listas diferentes, tratando das minhas mídias de entretenimento preferidas: Quadrinhos, Cinema e, é claro, Jogos.

Os dois primeiros Top 5 serão postados neste blog mesmo, enquanto o ultimo, sobre video-games irá ser postado no Em Outro Castelo, uma vez que o tema corresponde ao site. Sem mais delongas, vamos começar.

Disclaimer: Estou colocando nesta primeira lista tanto ”comics” quanto ”mangás”, cause screw you, it’s my list!

#5- Turma da Mônica: Laços

turma-da-monica-lacos-nova-graphic-novel-da-turma-da-monica-com-roteiro-de-vitor-cafaggi-e-ilustrada-por-lu-cafaggi-1365714058948_635x960

A mais recente da lista, esta Graphic Novel está aqui não apenas pela nostalgia dos tempos de infância e das primeiras revistinhas com as quais aprendi a ler (até porque eu comecei com as revistas do Senninha e não da Turma do Bairro do Limoeiro), mas por mérito próprio.

Pra começar o traço de ambos os irmãos Cafaggi é sensacional. De todas as re-imaginações da Turminha, a deles foi de longe a melhor que vi até hoje. Não só isso, mas tudo que compõem o visual dessa revista é lindo. É simplesmente maravilhoso de se olhar.

Laços

O roteiro, apesar de simples, é uma verdadeira homenagem à filmes de aventura dos anos 80, os quais eu assisti bastante quando mais novo. É uma leitura leve e divertida, como a própria infância que não volta mais. Ok, talvez a nostalgia tenha pesado sim na escolha, mas de uma maneira diferente.

EPIC!

EPIC!

#4- Maus

maus

Preenchendo a cota de pelo menos uma obra mais séria e artística na lista. E o que falar dessa Graphic Novel?

Maus conta a história do próprio autor, Art Spiegelman, entrevistando seu pai, Vladek, sobre como este conseguiu sobreviver ao Holocausto, para que ele possa usar essas informações em sua Graphic Novel, a mesma que você está lendo. Metalinguagem pura.

6a00d8341dc73753ef0120a8e09fe9970b-320wi

No entanto, Maus é muito mais do que o relato de um sobrevivente em um dos períodos mais negros da história mundial. É também o retrato do relacionamento de um pai e um filho que cresceram em tempo e ambiente diferentes, e como isso torna a comunicação entre ambos difícil. E é essa parte que, para mim, torna Maus uma obra realmente indispensável. De todos os quadrinhos dessa lista, se você tiver que escolher apenas um, que seja esse.

12-art-spiegelman_ddf29c4740

#3- Lenore: Cute Little Dead Girl

Noogies

Eu gosto de coisas fofas. Admito. Como já disse o grande Fabio Yabu, ”sempre fui meio viado”. No entanto, para compensar isso, eu também sempre adorei obras violentas e dark. Não é sempre que se consegue juntar fofura, violência e… ”darkesa” (?) e com isso gerar uma estória divertida.

Lenore é lotado de humor-negro e nonsense, piadas politicamente incorretas e profanas, situações e personagens bizarros… e eu simplesmente amo cada minuto de leitura.

01

Além disso, também há um que de fofura e certa inocência vinda da personagem principal, que por mais que cometa atos terríveis e, por vezes, sádicos, em geral o faz sem maldade alguma.

Além da estórias da personagem principal, existem pequenas passagens one-shot de outros personagens e eventuais estórias baseadas na vida real do autor, Roman Dirge que sempre são hilárias. De longe, a minha série de humor preferida.

sample-image

#2- Jojo’s Bizarre Adventure

cover

Eu não costumo ser muito fã de estórias muito compridas. Quando vejo uma série passar dos 100 capítulos eu já perco completamente a motivação de ler e são raras as séries que conseguem me manter lendo após essa marca. Jojo’s Bizarre Adventure é uma mangá que já ultrapassou os 100 VOLUMES!

Em Jojo’s Bizarre Adventure acompanhamos as aventuras dos membros e descendentes da família Joestar, que sempre acabam envolvidos em batalhas épicas contra pessoas e criaturas sobrenaturais, e essa premissa, para mim, é um os pontos fortes da série. Ficar trocentos capítulos preso ao mesmo protagonista, na mesma jornada, é extremamente cansativo e chato. Em JBA, uma vez que um arco de estórias se fecha não só o protagonista, mas todo o núcleo principal de personagens muda e, mesmo os arcos sendo ligados entre si, é possível (em geral), ler ou pular um arco sem afetar ABSURDAMENTE seu entendimento da estória (e você sempre pode pegar um resumo dos acontecimentos se quiser se situar melhor).

A whole lot of Jojos.

                                                                                                     A whole lot of Jojos.

Outro trunfo da série são os combates. Eu gosto de Dragonball Z como qualquer pessoa que cresceu assistindo, mas se nesses 100 volumes toda luta fosse decidida simplesmente por quem bate mais forte, JBA seria extremamente enjoativo. Ao invés disso, as lutas sempre tem estratégias e costumam ser bastante criativas, sem deixarem de ser freakin’ badass!

images

Jojo’s Bizarre Adventure é um mangá que não é muito fácil de se começar a ler. Os trocentos capítulos e traços… alguns diriam ”Liefeldianos”, podem ser intimidadores, sem contar que por ser uma série seinen (orientada para um público mais velho) não há dó ou piedade. Coadjuvantes, personagens principais, animais… todos estão sujeitos à mortes horríveis. O roteiro também tem bastante problemas e alguns furos. Mas se você conseguir passar por isso tudo, você terá várias lutas sensacionais, personagens carismáticos e, claro, muita bizarrice extremamente foda.

Er... e tem isso também... pois é...

Er… e tem isso também… pois é…

——————————————————————————————

Ok, se você já me conhece bem, os primeiros colocados de todas essas listas vão ser bem óbvios e não serão surpresa alguma.

Quando eu conheci essa série minha ficha havia acabado de cair. Eu realmente havia deixado de ser uma criança e não tinha como voltar no tempo. Era hora de crescer, assumir responsabilidades, amadurecer, mudar. Estranho pensar que encontrei tudo isso em uma HQ cuja a premissa era ter que enfrentar 7 pessoas super poderosas para poder ficar com uma garota…

#1- Scott Pilgrim

scott-pilgrim-color

Eu comecei a ler Scott Pilgrim quando os primeiros trailers da adaptação de cinema começaram a surgir na internet. Fui naturalmente atraído pela estória, uma vez que tinha comédia, cenas de ação e uma porrada de referências a jogos, quadrinhos, filmes, música…

pilgrim7

Eu não pescava todas as referências, mas muitas delas pareciam ter sido visivelmente colocadas para pessoas que cresceram na mesma época que eu. Motivos mais que suficientes pra eu gostar da série, mas não é por isso que ela está em primeira nesta lista. Aqueles que leram até o fim, sabem que Scott Pilgrim é mais do que piadinhas, referências e porradaria. É sobre uma época na vida de uma pessoa em que as coisas começam a mudar e você não pode ficar apático à isso.

scott-pilgrim-same

Eu não escondo que não gosto tanto do personagem título da estória, mas mesmo assim, é bem legal ver o arco de crescimento dele, ao mesmo tempo em que você também pode observar os demais personagens ao seu redor em seus próprios arcos.

Awesome

Awesome!

E ao fim podemos ver que caminho cada um decidiu seguir e as mudanças que ocorreram. Um dos finais mais satisfatórios para mim de todos os tempos.

Also almost there!

Also almost there.

Top 3- O que eu NÃO DEVIA ter assistido enquanto criança.

É inegável o quanto nossa sociedade atual tenta proteger ao máximo as crianças dos horrores do mundo. Seja qual for a mídia, sempre haverá algum paladino, um defensor da moral e bons costumes, disposto a proferir a já célebre frase:

Por esta razão, nos ultimos anos, temos vivido em no regime do ”Politicamente Correto”. Qualquer coisa é motivo para processos e temos que tomar cada vez mais cuidado com o que falamos, pois podemos ”influenciar a mente do jovem”.

Por um lado eu acho esta super-proteção aos infantes um saco. Uma criança que não é exposta a nenhum ”mal do mundo” não adquire a capacidade de lidar com eles e acabará sofrendo um grande choque ao se ver forçada à encara-los no futuro e, acredite, o mundo não será gentil com você só porque você é inocente. Muito pelo contrário, ele arrancará de você sua inocência, junto de seus sonhos, esperanças e, possivelmente, algum trocado que você tenha na carteira.

Por outro lado eu entendo um pouco desta preocupação dos pais de hoje. No nosso tempo nós fomos expostos à coisas que, de fato, crianças não deveriam e que possivelmente afetaram nossa maneira de ser de hoje.

No meu caso, eu tive contato com algumas séries e filmes que alteraram completamente minha maneira de ser e meus gostos de forma drástica quando criança, e que muito provavelmente me traumatizaram de tal forma que jamais serei capaz de me curar, não importando o quanto eu gaste com terapia ou remédios.

E aqui estão algumas delas:

3- Evil Dead

Acredito que deva ter sido por volta de 1998 que foi anunciado um jogo da franquia para o Playstation. Nesta época eu tinha uns 8 ou 9 anos, e havia adquirido meu PS1 recentemente, logo estava fissurado com qualquer novidade para o console. Obviamente, assim que fiquei sabendo do jogo eu decidi ir atrás dos filmes para saber do que se tratava. Por um acaso do destino, cerca de 1 ano depois, eu estava passando de canais pela madrugada quando o primeiro filme da série estava sendo exibido.

Agora vamos por partes.

Primeiramente, para os que conhecem a série superficialmente, o primeiro filme diferente de seus sucessores tem uma pegada mais pesada e séria, incluindo uma cena perturbadora envolvendo uma árvore demoníaca estuprando uma mulher.

Em segundo lugar, os efeitos podem parecer muito ruins para hoje em dia, mas naquela época eram competentes o suficiente para aterrorizar crianças de menos de 10 anos.

O pior é que eu acabei realmente gostando do filme, tornando-se um dos meus filmes preferidos e colocando o gênero de terror com um de meus prediletos.

2- South Park

Acho que não preciso falar muito sobre este. Uma série onde uma das piadas recorrentes é a MORTE BRUTAL DE UMA CRIANÇA dispensa qualquer explicações.

Além do que, o humor ácido da série acabou influenciando na formação do meu caráter… sim, eu sei que não devia me orgulhar disso, mas eu diria até que, assim como no caso de Evil Dead, foi mais voltada para esta formação de personalidade sarcástica do que outra coisa.

Apesar de ambos serem violentos, na época em que eu os assisti eu já não era uma criança facilmente impressionável no quesito ”banho de sangue”.

”Por que?” você pergunta?

1 – Genocyber

Poisé. Se você me conhece, e as chances são que, se você está acessando este blog você provavelmente conhece, você já devia estar esperando por isso. Não consigo pensar em uma ocorrencia mais bizarra na TV nacional do que a exibição de Genocyber.

Para aqueles que não sabem, lá por 1997, a Manchete havia descoberto a maravilha que eram os animes, tendo sido salva pelo recente sucesso de Saint Seiya (<<ALERTA REGRA DOS 15 ANOS>>). Logo os executivos da rede partiram em busca de novos animes para que pudessem aproveitar o hype da série. E assim surgiu o bloco U.S. Manga, cuja música de abertura viria a me atormentar pelo resto de toda a minha vida.

Espero, do fundo do meu coração, que está música persiga vocês até o túmulo, pois com certeza ela me irá me seguir.

Enfim, entre pérolas como Zeorymer e Detonator Orgun (<<ALERTA REGRA DOS 15 ANOS>>), chegou às nossas casas o bloodbath conhecido como Genocyber, cuja estória incrivelmente envolvente, profunda e reflexiva, está resumida no video abaixo:

NOT SAFE FOR WORK… neither for Family or friends for that matter

É claro que na época de sua exibição na TV aberta houve alguma censura, mas muita coisa ainda conseguiu passar. O suficiente para traumatizar uma criança de 7 ANOS de idade… ou simplesmente faze-la passar a gostar deste tipo de séries.

E o pessoal vem reclamar que as crianças de hoje não deviam assistir Power Rangers porque é violento. Sinceramente…

Importância de Campanhas nas Redes Sociais.

Recentemente iniciou-se no Facebook uma campanha contra a violência infantil. A ideia é que todos mudem suas fotos de perfil para personagens que tenham marcado suas infâncias até o dia 12 de outubro…

Ok, então não é necessário muita reflexão para se chegar a conclusão de que isso muito provavelmente não vai ajudar em NADA com relação aos crimes praticados contra os pequenos infantes. Não sei bem qual era o plano aqui. Talvez fosse que, ao ver nas fotos de perfil de seus amigos vários personagens de sua infância o criminoso se sensibilizasse e largasse sua vida de crimes… enfim, não vou julgar aqui a efetividade de tal ideia, ou o fato de centenas de campanhas parecidas surgirem em redes sociais todos os dias, todas com resultados semelhantes.

”Ah, mas eu não lembro de ter ouvido sobre alguma que tenha dado certo.”

”Exato.”

Enfim, o ponto é: Eu aderi à campanha em questão. Por que se eu mesmo acabei de dizer que ela não deve cumprir seu objetivo? Bom, por três motivos simples:

1- Ela é harmless enough. Diferente daquelas correntes chatas que as pessoas te passam e pedem pra você passar para mais tantas pessoas, aqui é uma ação que parte de cada individuo. Ninguém está mandando você fazer isso e repassar para que todos o façam, não. Simplesmente estão te falando ”Olha, fiz isso por essa razão. Legal, né?”. Além do que, todos em algum ponto já usamos a imagem de um personagem como nosso avatar na internet.

2- Olhe para sua lista de amigos de qualquer rede social. Quantas destas centenas de pessoas você realmente conhece? Não estou dizendo que ”agora sim você vai conhecer todas estas pessoas”, mas é uma maneira de conhecer um pouquinho mais cada uma delas. Não só as que você não conhece, mas mesmo as mais próximas. Não é legal saber o que aquele seu amigo esquisitinho que adora filmes e séries extremamente violentas assistia quando era criança?

3- A sensação de nostalgia. Rever e relembrar todos estes personagens, alguns que até podiam estar perdidos num canto escuro de nossas memórias, nos faz lembrar de tempos mais simples. Tempos em que podíamos ver nossos amigos quase todos os dias pois eles não estavam ocupados com trabalho e que não precisávamos de um cartão de crédito para pagar a fatura de um outro. Quando você chega à certa idade e se percebe que faz mais de dez anos que você não tem dez anos, às vezes é bom relembrar dos tempos de criança.

Então eu não digo que toda campanha de rede social é inútil. Algumas poucas tem alguma importância, mesmo que ela esteja escondida nas entrelinhas.