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Narrativa Emergente- Crônicas de uma Alma Perdida #2

Sua visão foi retornando aos poucos. Malditos ratos. Ficara muito perto da beirada de um precipício e dois ratos gigantes pularam em cima dele, resultando no fim dos três.

Bom, talvez não o fim. Olhou seu reflexo em uma poça de sangue próxima. Suas feições humanas haviam desaparecido. Tornara-se um Hollow novamente. Suspirou. Bem, a forma humana não seria recuperada tão cedo, mas todas as almas que ele já havia recolhido… estas estavam à sua espera. Virou-se para a escada vermelha e pôs-se a subi-la.

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Não foi difícil recuperar o que ele havia perdido. Bastou adentrar o ninho dos ratos com o escudo erguido à sua frente e, uma vez longe da beirada desprotegida, desferir golpes contra as criaturas peçonhentas. Subiu mais uma escada que o levou a um corredor curto e ao fim dele se viu em uma escadaria, repleta de inimigos.

Escudo erguido, seguiu em direção ao primeiro oponente. Esperou a lâmina adversária bater contra seu escudo, empurrou-o para deixar o oponente vulnerável. Um corte e ele foi de encontro ao chão. Sem tempo para respirar, com o escudo ainda em punho, sendo alvejado por flechas distantes, seguiu em direção ao segundo.

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Esse não baixou a guarda em momento nenhum, sempre golpeando e retornando à uma posição defensiva agilmente. Sentindo as mãos fraquejarem pelo impacto de espada e flechas, tomou uma atitude ousada. Após defender mais um golpe, pisou com força o escudo que protegia o inimigo, fazendo-o recuar um pouco e o desequilibrando, deixando-o aberto para um ataque.

Novamente, apenas um golpe. A espada que conseguira a pouco tempo se mostrara bastante útil. Infelizmente, ela nada pode fazer com relação às duas flechas que lhe perfuraram quando deixara sua guarda aberta. Não havia tempo para se preocupar com isso, no entanto. Onde estava o próxim- sentiu um frio cortante na barriga. Ao olhar para baixo viu uma lâmina saindo de seu estômago. Mesmo já estando tecnicamente morto sentiu algo. Não era bem uma dor, estava mais para uma agonia. Uma agonia verdadeiramente dolorosa. Sentiu um pé em suas costas, empurrando-o contra o chão enquanto seu algoz retirava a lâmina de dentro dele.

A visão escureceu consideravelmente, e os demais sentidos também começaram a esvair-se. Não importava quantas vezes passasse por aquilo, a morte nunca era algo agradável. Pode ver apenas uma silhueta aproximando e erguendo sua arma e a baixando em sua direção. Novamente aquela sensação do aço frio, desta vez no pescoço. Impossibilitado de gritar, seu corpo se contorceu no chão, a respiração havia parado, suas mãos foram até a garganta e o sentimento desesperador de estar-se afogando com o próprio sangue tomou conta e aquela agonia crescendo cada vez mais, talvez o sentimento pior do que uma dor real, cada vez mais forte, cada vez mais intensa, cada vez mais…

Pacífica. A visão foi retornando aos poucos. Maldito soldado….

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