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R.E.M.- Prólogo

Quando foi que a verdade deixou de ter graça?

Quando bem mais novo, eu sempre contava aos outros sobre aventuras que aconteciam em reinos reinos distantes. Os fortes e destemidos heróis que lá viviam; as belas e bondosas princesas que lá governavam; os temíveis, mas incríveis monstros que moravam nas profundezas das masmorras mais escuras. Os olhos de meus amigos brilhavam enquanto eu descrevia cada cena, e os sorrisos  que conseguia deles era todo pagamento que eu precisava.

E em meio aos protestos de ”E então, o que aconteceu!?” e ”Continua!” sempre alguém mais inocente me perguntava ”Isso é tudo verdade?”. Eu sorria da maneira mais legal que conseguia (pensando agora, eu devia parecer bem besta) e respondia ”Eu pareço um mentiroso?”. E de fato, no fundo eu acreditava em cada pequeno mito que se formava em minha mente infantil, da mesma forma que acreditava em Papai Noel, Coelho da Páscoa e nos Power Rangers.

Mas agora parece que tudo isso não passa de uma memória esquecida.

Alguns dos meus antigos amigos se mudaram.

”Contar estorinhas é coisa de criança”.

Outros arrumaram outros interesses.

”Não tenho tempo para isso”.

Minha fisionomia deve ter mudado com os anos, pois durante um tempo eu fiquei conhecido como um mentiroso.

”Mas é claro que nada disso é verdade.”

Só é mentira se você não acredita realmente, sabia!?… Mas no fim eu mesmo comecei a deixar de acreditar em minhas estórias, então acho virei um mentiroso mesmo.

Ao iniciar o oitavo ano em minha escola eu já tinha me rendido à realidade e evitava ao máximo pensar em reinos distantes e monstros temíveis. Faziam alguns anos que não tentava mais contar estórias, apesar de continuar escrevendo contos em um caderno que mantinha em segredo. Eu tinha desistido da magia e fantasia por uma verdade monótona, porém segura.

Estava apenas levando cada dia normal e tranquilamente. E tudo teria se mantido desta forma, não fosse a chegada de uma nova aluna.

Conto- Neve vermelha.

A neve cobria os degraus que iam até o topo da montanha. Em meio à nevasca, uma figura se movia, subindo degrau a degrau, em direção ao Templo dos Greybeards.

Brace yourselves... obvious reference is coming...

Brace yourselves... obvious reference is coming...

Ele não sabia o motivo de ter sido chamado. Não entendia o que se passava consigo mesmo. Parou para descansar próximo à uma formação de pedras que mal protegiam da neve que caía com cada vez mais frequência.

Dragonborn? Matador de Dragões? Destino? Nada disso fazia sentido para Rizowalla, mas ele não podia negar que algo aconteceu quando desferiu o ultimo golpe contra aquele dragão. Algo havia mudado… algo dentro dele. E apesar de não gostar da ideia de ter ser ”convocado”, ele estava muito curioso para saber oque queles sábios teriam a dizer sobre o ocorrido.

Encarou os degraus que já havia deixado para trás. A mulher que o Jarl mandou como sua acompanhante, Lidya ou algo assim, havia ficado para trás, e dado o clima, provavelmente não o alcançaria tão cedo. Voltar para busca-la não era uma opção, mas ela ficaria bem. Ele viu como aquela guerreira lutava e tinha certeza que alguns lobos não seriam páreos para ela.

Rizowalla retornou de seus pensamentos repentinamente, ao ouvir um barulho próximo. Virou-se a tempo de ver algo branco indo em suas direção. Tentou esquivar-se, mas garras acertaram seu tórax e ele foi arremessado à algumas dezenas de degraus abaixo. Ele ignorou a dor, levantou-se, apoiando-se no seu machado, e levantou a cabeça para enxergar o inimigo. Vindo em sua direção, já preparando um novo ataque, um Troll das neves corria furiosamente.

-Huh…- Esperou que a criatura viesse ataca-lo. O Troll tentou novamente acata-lo com sua garra direita, mas o bárbaro esquivou-se para trás. O monstro precipitou-se para a frente, perdendo o pouco o equilíbrio. Um machado girou no ar…

… e rasgou um ferimento no oponente.

O Argonian sentiu o cheiro de fumaça e sangue. Olhou para sua arma, manchada em vermelho. Em seguida olhou para a criatura que agora berrava de dor e estava coberta de chamas. Notou que parte do corpo da criatura agora compartilhava a cor que se espalhava por seu machado.

– Se sangra… pode ser morto- Preparou-se para contra-atacar mais uma vez. Sentia o sangue saindo de sua própria boca, não podia ser descuidado ou acabaria tendo aquele lugar como seu túmulo. O tempo pareceu estender-se. Cada passo, cada golpe, cada grito proferido por um dos combatentes, a peleja pareceu durar uma eternidade. Mas tudo chega ao fim e logo um golpe final, certeiro, foi desferido e o sangue pintou a neve de vermelho.

O Vitorioso tentou seguir seu caminho, arrastou-se o máximo que pode, mas seus olhos começaram a pesar. Ouviu vozes.

– Poderia ester ser… Rápido, levem-no para dentro- Sua visão já havia escurecido à esta altura. No entanto ele não se preocupou. De alguma forma sabia que não morreria ali. Havia ainda muito a ser feito, aquilo não era o fim, apenas o começo….

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Novas aventuras ainda o aguardavam no futuro.