Arquivo mensal: dezembro 2012

Narrativa Emergente- Crônicas de uma Alma Perdida #2

Sua visão foi retornando aos poucos. Malditos ratos. Ficara muito perto da beirada de um precipício e dois ratos gigantes pularam em cima dele, resultando no fim dos três.

Bom, talvez não o fim. Olhou seu reflexo em uma poça de sangue próxima. Suas feições humanas haviam desaparecido. Tornara-se um Hollow novamente. Suspirou. Bem, a forma humana não seria recuperada tão cedo, mas todas as almas que ele já havia recolhido… estas estavam à sua espera. Virou-se para a escada vermelha e pôs-se a subi-la.

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Não foi difícil recuperar o que ele havia perdido. Bastou adentrar o ninho dos ratos com o escudo erguido à sua frente e, uma vez longe da beirada desprotegida, desferir golpes contra as criaturas peçonhentas. Subiu mais uma escada que o levou a um corredor curto e ao fim dele se viu em uma escadaria, repleta de inimigos.

Escudo erguido, seguiu em direção ao primeiro oponente. Esperou a lâmina adversária bater contra seu escudo, empurrou-o para deixar o oponente vulnerável. Um corte e ele foi de encontro ao chão. Sem tempo para respirar, com o escudo ainda em punho, sendo alvejado por flechas distantes, seguiu em direção ao segundo.

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Esse não baixou a guarda em momento nenhum, sempre golpeando e retornando à uma posição defensiva agilmente. Sentindo as mãos fraquejarem pelo impacto de espada e flechas, tomou uma atitude ousada. Após defender mais um golpe, pisou com força o escudo que protegia o inimigo, fazendo-o recuar um pouco e o desequilibrando, deixando-o aberto para um ataque.

Novamente, apenas um golpe. A espada que conseguira a pouco tempo se mostrara bastante útil. Infelizmente, ela nada pode fazer com relação às duas flechas que lhe perfuraram quando deixara sua guarda aberta. Não havia tempo para se preocupar com isso, no entanto. Onde estava o próxim- sentiu um frio cortante na barriga. Ao olhar para baixo viu uma lâmina saindo de seu estômago. Mesmo já estando tecnicamente morto sentiu algo. Não era bem uma dor, estava mais para uma agonia. Uma agonia verdadeiramente dolorosa. Sentiu um pé em suas costas, empurrando-o contra o chão enquanto seu algoz retirava a lâmina de dentro dele.

A visão escureceu consideravelmente, e os demais sentidos também começaram a esvair-se. Não importava quantas vezes passasse por aquilo, a morte nunca era algo agradável. Pode ver apenas uma silhueta aproximando e erguendo sua arma e a baixando em sua direção. Novamente aquela sensação do aço frio, desta vez no pescoço. Impossibilitado de gritar, seu corpo se contorceu no chão, a respiração havia parado, suas mãos foram até a garganta e o sentimento desesperador de estar-se afogando com o próprio sangue tomou conta e aquela agonia crescendo cada vez mais, talvez o sentimento pior do que uma dor real, cada vez mais forte, cada vez mais intensa, cada vez mais…

Pacífica. A visão foi retornando aos poucos. Maldito soldado….

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Mais uma reflexão fajuta.

Quando foi que a linha entre bem e mal tornou-se tão tênue?

Quando você deixa de enxergar apenas as ações e passa ver também as intenções o jogo muda.

Certo e Errado?

É difícil distinguir quando se passa a ver ações corretas por motivos turvos e ações totalmente questionáveis, mas com razões justificáveis.

Conforme crescemos vamos notando que o mundo não é monocromático da forma que acreditávamos que fosse. Não só há tonalidades cinza, mas também todo um espectro infinito de cores que não podemos separar em simplesmente ”Boas” ou ”Más”.

Por mais que nos esforcemos, percebemos que não somos capazes de escolher todas as nossas cores. Você pode passar anos rejeitando determinada palheta, considerando determinados traços de personalidade de terceiros terríveis. E então, um dia você acorda e olha no espelho para se ver manchado com o que sempre desprezou. Parabéns, você está se tornando aos poucos o que tanto odiava.

*Para. Suspira. Bebe um gole de energético com Coca-Cola*

Sinto falta da dicotomia de minha infância, quando haviam apenas duas escolhas simples e fáceis de se identificar: ”Certo” ou ”Errado”. Diferente de hoje, que a cada pequena decisão que tomo me preocupo se foi ”a coisa certa a fazer”, sem lembrar que, às vezes, esta opção não existe.

Reflexão para fechar a madrugada.

Eu sei que devia dormir… mas se eu parar um texto no meio eu sei que nunca mais vou termina-lo.

By the way, fazia muito tempo que não escrevia 4 textos (3 deles reflexivos) em uma noite e ainda me dava ao luxo de não publicar 3 deles (justamente os reflexivos).

Tomar um reality check de vez em quando é bom pra ajudar na escrita, eliminando writer’s blocks persistentes com uma facilidade impressionante. É uma pena que muito do que se escreve nessas situações tornem-se textos malditos e apócrifos que devem ser eliminados da existência o quanto antes.

achievement panda

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R.E.M.- Prólogo

Quando foi que a verdade deixou de ter graça?

Quando bem mais novo, eu sempre contava aos outros sobre aventuras que aconteciam em reinos reinos distantes. Os fortes e destemidos heróis que lá viviam; as belas e bondosas princesas que lá governavam; os temíveis, mas incríveis monstros que moravam nas profundezas das masmorras mais escuras. Os olhos de meus amigos brilhavam enquanto eu descrevia cada cena, e os sorrisos  que conseguia deles era todo pagamento que eu precisava.

E em meio aos protestos de ”E então, o que aconteceu!?” e ”Continua!” sempre alguém mais inocente me perguntava ”Isso é tudo verdade?”. Eu sorria da maneira mais legal que conseguia (pensando agora, eu devia parecer bem besta) e respondia ”Eu pareço um mentiroso?”. E de fato, no fundo eu acreditava em cada pequeno mito que se formava em minha mente infantil, da mesma forma que acreditava em Papai Noel, Coelho da Páscoa e nos Power Rangers.

Mas agora parece que tudo isso não passa de uma memória esquecida.

Alguns dos meus antigos amigos se mudaram.

”Contar estorinhas é coisa de criança”.

Outros arrumaram outros interesses.

”Não tenho tempo para isso”.

Minha fisionomia deve ter mudado com os anos, pois durante um tempo eu fiquei conhecido como um mentiroso.

”Mas é claro que nada disso é verdade.”

Só é mentira se você não acredita realmente, sabia!?… Mas no fim eu mesmo comecei a deixar de acreditar em minhas estórias, então acho virei um mentiroso mesmo.

Ao iniciar o oitavo ano em minha escola eu já tinha me rendido à realidade e evitava ao máximo pensar em reinos distantes e monstros temíveis. Faziam alguns anos que não tentava mais contar estórias, apesar de continuar escrevendo contos em um caderno que mantinha em segredo. Eu tinha desistido da magia e fantasia por uma verdade monótona, porém segura.

Estava apenas levando cada dia normal e tranquilamente. E tudo teria se mantido desta forma, não fosse a chegada de uma nova aluna.

Latas, Unicórnios e Elefantes Rosa.

O álcool tem efeitos sob nossa coordenação motora e nosso raciocino. Não discutirei uma verdade irrefutável que já foi provada pelas fontes mais confiáveis deste plano ( Wikipedia e Mythbusters). No entanto, é indiscutível o efeito positivo que tal substancia tem em algumas pessoas.

Alguns tornam-se mais confiantes; outras tornam-se capazes de dançar; e até conheci indivíduos cujo o intelecto elevava-se junto ao teor alcoólico em seu sangue.

Quanto à mim, eu nunca estudei propriamente tais efeitos etílicos em minha pessoa. Por esta razão decidi realizar este experimento. Até o fim desta noite terei escrito um texto inteiro conforme for ultrapassando os níveis de alcoolismo. Possivelmente não será um texto conciso ou mesmo são, but then again, que texto meu os são.

(Antes que alguém comente:Sim, eu sou fraco para álcool)

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