Trilogia ”Feast”

Volta e meia eu escuto a afirmação de que ”o universo é cíclico”.

Sempre haverão guerras; grandes impérios sempre cairão; o livro sempre será melhor que o filme. Algumas coisas tendem a se repetir diversas vezes durante nossa vida e, quando penso sobre a minha vida, uma das constantes mais fortes são os filmes de terror.

Não importa o quanto eu tente acabar com isso… sempre volta.

De tempos em tempos eu decido dedicar meu tempo livre à assistir filmes deste gênero, desde os thrillers mais tensos e inteligentes até os slashers descerebradosE foi em minha mais recente investida que fui apresentado ao terror/comédia de humor-negro ”Banquete no Inferno” (Feast) de 2005.

A premissa é bastante simples. Somos apresentados à um grupo de pessoas em um barzinho no meio do nada. Parece uma noite como qualquer outra, até que surge o ”Héroi”. Trazendo consigo a cabeça de uma criatura desconhecida, ele avisa à todos que um grupo destes monstros está a caminho e que eles devem se preparar se quiserem sobreviver. E assim segue a trama, com os personagens fazendo todo o possível para sobrevirem ao ataque destes monstros… e com a maioria falhando e tendo mortes grotescamente awesome.

It’s time to be awesome and chew bubblegum… and I’m all out of gum.

Apesar de possuir momentos tensos, e até mesmo um ou outro momento dramático, o tom do filme é, na maior parte do tempo, mais descontraído e bem humorado. Ele sabe que é apenas um filme slasher como tantos outros e brinca com os clichés do gênero, bem como com a expectativa do espectador. Além disso, os efeitos especiais são bons, fazendo com que todas das cenas de gore um show à parte . No fim das contas eu fui esperando apenas mais um filminho gruesome, mas acabei sendo surpreendido por um dos filmes de terror mais divertidos que assisti nos últimos anos.

Este filme me foi recomendado por meu amigo Ed Shemp. Junto à dica do filme, ele me concedeu mais um conselho: ”Não assista às continuações.”… infelizmente, outro aspecto cíclico da minha vida é ignorar os bons conselhos de meus amigos…

Praticamente tudo que o primeiro filme fez bem as continuações fizeram questão de destruir. Para que o caro leitor tenha uma ideia da decepção que eu tive com estas sequências, lembra de como você se sentiu ao sair do cinema após assistir ”A Ameaça Fantasma”? Pois bem, foi algo parecido, no entanto com muito mais ódio envolvido. Mas, por que eu achei estes tão horríveis? Isso é, além do fato de eles, de fato serem um aborto cinematográfico…

Para começar, o primeiro filme criava um clima um tanto claustrofóbico, com os sobreviventes tentando se barricar para se protegerem dos ataques que vinham de fora, em um ambiente fechado e escuro. Nas sequências tudo ocorre em uma cidade, e apesar de ainda haverem momentos em que os personagens se escondem dentro de locais protegidos, a tensão claustrofóbica perdeu-se completamente.

Em segundo lugar, o humor do primeiro filme podia não ser nem um pouco refinado e descambar pra putaria de vez em quando, mas ainda possuía boas sacadas. No segundo e terceiro filme tomou-se a escatologia como principal ferramenta de humor, tornando-se algo barato e até vergonhoso.

Os próprios monstros perderam muito desde a primeira aparição. Enquanto no filme de 2005 eles pareciam quase imbatíveis, tornando a tarefa de matar apenas uns 5 deles algo quase impossível, eles se tornam criaturas bem mais simples de se matar, chegando ao ponto de personagens lutarem CORPO-A-CORPO com seres que precisavam ser FUZILADOS para morrer anteriormente. Além é claro dos efeitos especiais terem despencado de qualidade, não só dos monstros como também existem muitas cenas onde o uso de tela verde salta aos olhos.

Mas para mim o fator principal que me fez odiar estas abominações foram os personagens. Em Feast nós podemos não ter muito background dos personagens, mas alguns são carismáticos e até possuem algum desenvolvimento no decorrer do filme, de forma que você torce para que eles consigam sobreviver. Os protagonistas de Feast: Sloppy Seconds e Feast: The Happy Finish figuram entre os personagens mais sem carisma que eu vi em toda a minha vida. Eu praticamente vibrei a cada personagem que morria, em parte pelo ódio que passei a alimentar por eles com o decorrer do tempo, em parte pelo fato de que quantos mais morressem mais próximo estaria do fechamento dos filmes. E o que mais me impressiona é que eu não foram atitudes politicamente incorretas (e destas existem muitas aqui) que originaram essa ojeriza. O motivo é bem mais simples e direto: BURRICE.

Eles quebram paredes, claro. Mas jamais conseguirão penetrar no meu super-escudo-defensivo +6.

A maior parte dos personagens dos filmes subsequentes são simplesmente estúpidos, tomam decisões retardadas, agem como imbecis e merecem o destino que os espera. E mesmo os poucos que não se encaixam neste perfil conseguiram minha antipatia por simplesmente não reagirem e deixarem que os burros continuassem a coloca-los em perigo. Mermão, num momento apocalíptico em que se passa o filme, se alguém acaba fazendo uma idiotice que resulta na morte de um ente querido meu, eu atirava no infeliz na primeira oportunidade, ao invés de simplesmente deixar pra lá e ainda incentivar suas futuras retardadices.

Bem, é isso que tenho a dizer sobre esta trilogia de um único filme descente. Vá atrás do primeiro e assista-o como um standalone que você será feliz. ”Mas então como vou saber como tudo acaba?” você pergunta?

Ha, acredite, você NÃO quer saber o como é o fechamento desta estória….

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