Arquivo mensal: outubro 2011

Porque eu fiquei tanto tempo sem postar

Caso alguém esteja se perguntando a razão de eu ter passado tanto tempo sem postar nada… Bem…

Sabe quando sua conexão a internet está com problemas, você liga pra sua operadora e eles dizem que vão passar a ligação pra um especialista?

Poisé…

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… especialista é meu ovo esquerdo!

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O ser humano e sua necessidade de criar necessidades

Em algum ponto de nossas medíocres existências todos nós já pensamos em economizar “dinheiros” afim de obter algo de valor monetário superior à nossa condição financeira habitual.

Aqueles que tiveram coragem para passar por esse ritual, sabem o quão sacrificante isto pode ser. A fome que se passa ao se abdicar de uma refeição; a solidão que se sente ao não poder ir ao cinema com os amigos; a estupidez que é deixar de comprar um remédio que você precisa, tudo isso por um objetivo maior.

Mas todo este esforço vale à pena, não vale?

Bem, mais ao menos.

Antes de começar, apenas permitam-me dizer que, caso você realmente tenha deixado de comprar um remédio para economizar dinheiro, você é (literalmente) um doente.

Agora, um dos milhares de problemas do ser humano é sua falta de contentamento com o que se tem, ou sua necessidade de ter novas necessidades. Dificilmente o fim de uma jornada é o fim de fato. Trata-se apenas do começo de uma nova jornada.

Exemplo: Durante muitos anos eu não sentia necessidade alguma, e até debochava abertamente, dos produtos da Apple. iPods, iPhones, iPads, eu não conseguia ver o que havia demais neles e achava ridícula a idéia de pagar mais de 100 reais em um “mp3zinho qualquer”. Tudo isso mudou numa tarde, quando fui apresentado a um joguinho exclusivo de iOS que me faria querer comprar um iPod mais do que um PlayStation 3.

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Sim, eu torrei meses de Dilmas economizadas em um
iPod por causa de um jogo de 8MB

E se inicialmente minha motivação para comprar meu iPod foi retardada, hoje, tendo um mês de proprietário, eu já tornei-me totalmente dependente do pequeno aparelho. Eu escuto musica, acesso minha conta do Facebook, uso meu twitter, jogo jogos incríveis e até este blog que você está lendo agora é totalmente atualizado através do meu gadget de estimação e, francamente, só não me alimento por ele porque não existe app pra isso…

… ao menos eu acho que não existe…

Enfim, eu estou muito feliz com o fruto da minha economia… exceto que, não satisfeito com isso. Tão mal comprei meu iPod já estou planejando a compra de um iPhone. Simples assim, já tenho outra necessidade e provavelmente quando tiver o iPhone eu já terei uma terceira, é assim que as coisas funcionam mesmo.

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Sempre pensando em algo melhor

Mas esse comportamento também não é de todo ruim. Parando para pensar, não nos conformarmos com o que temos e estarmos sempre em busca de coisas melhores é o que nos faz evoluir a cada dia. Olhando por esse lado talvez essa também seja nossa melhor característica.

Lamentações e Mimimis através das redes sociais

Todos temos dias ruins.

Não há exceções ou misericórdia, um dia você vai perder o emprego/ser chutado pelo namorado(a)/seu cachorro vai morrer/alguém vai esquecer a porta da sua geladeira aberta/todas as anteriores.

E se em tempos pré-inclusão digital nossa única alternativa era enfiar a porrada na parede ou deitar em posição fetal para chorar, hoje em dia temos ferramentas cuja a principal finalidade é dividir com milhares de pessoas o quão injusta é a vida, o universo e tudo mais: As Redes Sociais.

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E cuja segunda função principal é servir de plataforma para jogos, claro

Ocorre que, por mais que tentemos negar, o ser humano é uma criatura sociável, por vezes até carente, que ao mesmo tempo gosta de se sentir útil ajudando os outros. Assim, quando a garota vai xingar muito no twitter aquela “vadia ladra de amigos” é óbvio que pelo menos um de seus followers vai tentar consola-la.

O acesso à internet nos dá essa possibilidade. Onde quer que estejamos, seja lá o que estivermos passando, estamos a um clique daquela listinha de amigos com os quais podemos nos comunicar em tempo real. Com as redes sociais isso se estendeu ainda mais. Agora você não precisa mais abrir uma janela pra cada amigo com quem queira conversar, bastando uma simples mudança de Status para que todos saibam o quão “escroto foi meu dia” e o quanto “odeio o mundo inteiro”. Isso é algo natural, nós gostamos de nos queixar e gostamos que nos dêem atenção.

Meu objetivo neste texto não falar mal deste comportamento, até porque todos já fizemos/fazemos isso. Que atire a primeira pedra aquele que nunca mudou sua mensagem pessoal do msn pra um “dia ruim” que seja.

O que realmente incomoda é quando tentamos fazer de tudo para parecermos fortes e auto-suficientes. Por exemplo:
Se você acabou de postar o quão difícil está a sua vida, como o mundo inteiro está contra você e como você quer morrer, não me venha logo em seguida reclamar das pessoas que estão querendo te ajudar e dizer o quanto você não precisa delas.

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E lá parece que eu preciso de ajuda!? Cai fora, preciso chorar minhas dores!

Okay, agora façamos uma pequena reflexão:

Nós sabemos que as redes sociais são espaços públicos , onde qualquer pessoa pode entrar e ler o que escrevemos, correto?

Na maioria destas redes, nós temos a opção de bloquear que as pessoas que não queremos vejam estas nossas informações, correto?

Então pensemos: Qual a intenção de alguém que publica o quanto está sofrendo e deixa essa publicação aberta para que QUALQUER PESSOA NO MUNDO possa ver?

Quando a pessoa realmente não quer ajuda ela fica calada, meus caros. Alguém que quer verdadeiramente ficar sozinha jamais tenta chamar atenção para si.

O que acaba ocorrendo é que muitas pessoas querem ajuda, um ombro amigo para chorar, mas são orgulhosas ou tímidas demais para admitir.

“Ah, mas às vezes eu só quero desabafar, não quero realmente que alguém venha me ajudar.”

Mentira. Se você realmente quer apenas falar suas mágoas sem nenhuma intenção de receber ajuda você pode entrar em um fórum e utilizar um nome falso, caso contrário, seja macho e admita que você está sim pedindo ajuda. E o mais importante, aceite essa ajuda.

Falo tudo isso de experiência própria. Há vezes que quero conversar com alguém e vou me queixar no twitter e e outras em que não quero ajuda e simplesmente me isolo do mundo.

Nenhum desses dois está errado, às vezes precisamos mesmo de um tempo à sós. Apenas aprenda a admitir quando você quer ajuda e não seja hostil com quem vier lhe socorrer. Se você morde a mão que te alimenta ela pode te ignorar quando você estiver realmente passando fome.
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Agora acho que vou desenhar uma Rage Comix pra melhorar o ânimo, porque não consigo ficar sério por muito tempo.

Mentiras, Omissões e o Colapso da Sociedade

Algo interessante veio à minha mente hoje enquanto eu retornava da labuta. Façam um esforço e imaginem o seguinte cenário comigo:

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(espaçamento maior que o necessário para dar efeito dramático)

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E se nossos pensamentos e lembranças pessoais fossem transmissíveis ao toque?

Suponhamos que durante a madrugada uma raça alienígena, ou quem sabe uma estrela cadente, deu uma passadinha próxima ao nosso planeta e, como consequência, agora todos os seres humanos são capazes de ler o pensamento alheio.

O fim das mentiras.

Nada mais de um criminoso ser julgado como culpado ou inocente injustamente.

Políticos corruptos sendo rapidamente desmascarados ao apertarem as mãos de possíveis eleitores na esperança de ganhar mais votos.

O fim de todo aquela história de “o amigo de um amigo meu” que tanto ouvimos em nossas infâncias (e que alguns de nós ainda tem que aturar mesmo depois de adultos).

Tudo mais do que perfeito. Uma utopia sem dúvidas, correto?

Ei, lembra de como você acha seu chefe um filho da puta? E daquele colega de trabalho pau-no-cú, que sempre chega dando tapinhas nas suas costas e que curte espalhar cada detalhe que descobre da vida dos outros?

Let’s do the math, shall we?

Certa vez escutei, não me recordo aonde, que se para se cometer um crime bastasse que um indivíduo pensasse nele, todos no mundo já teriam cometido ao menos uma dúzia de assassinatos.

Acontece que todos somos culpados de termos pensamentos ruins, quiçá impuros, todo o tempo, mesmo para com aqueles que nos são mais próximos.

Quem nunca pensou em “como fulano foi babaca agora” ou ” como sicrana é gostosa”? Isso é algo perfeitamente natural, não temos como evitar estes tipos de pensamentos, apenas podemos repreende-los e omiti-los para que não prejudiquem nossas relações ou venham a machucar pessoas. Então imagine o que aconteceria caso fossemos totalmente privados desta privacidade.

Amizades de anos acabando em segundos por motivos bestas. Casais se afastando pelo medo de terem algum segredo obscuro revelado ao parceiro. Paranóia. Não ser capaz de descansar pelo medo de ter seus pensamentos lidos e divulgados por outras pessoas.

Seria o fim da vida em sociedade, pois voltaríamos à tempos de trevas, nos quais a lei é “cada um por si e que morram os outros”.

E não haveria como evitar que isso ocorresse, pois todos temos algum “monstro” em nosso subconsciente que tememos que outras pessoas vejam. Todos sabemos, a forma mais certa de se pensar em algo é justamente tentar não pensar nisso.

Tudo em excesso é prejudicial. Talvez o mesmo possa ser dito sobre a verdade.

Não estou aqui defendendo os mentirosos ou os falsos, não. Estas pessoas abusam das mentiras para ganho próprio. Apenas gosto de pensar que tudo neste mundo tem importância, e se a mentira e a omissão existem quer dizer que em algum momento elas foram necessárias e o são até hoje.

Devemos apenas aprender a hora certa para utiliza-las.